
Ao olhar para o espaço cênico e pensar na proposta da companhia, não me saía da cabeça a frase do Davi Kopenawa de que vivemos empilhados em caixas - não só no sentido simbólico e clichê, mas no sentido concreto das cidades: Caixas imaginárias, cheias de prédios-caixa, com apartamentos-caixa, carros-caixa transitando entre uma caixa e outra para fazer a vida.
Fui deixando essa ideia se expandir e tomar conta nessa repetição que proponho em cena. Junto a isso, a manipulação dos objetos pelos intérpretes ajuda a visitar um imaginário de símbolos como, por exemplo, o monumento ao holocausto (em Berlim), as placas de computador, os blocos de lego, as peças de Tetris... Todos micro e macro caixas que, de alguma forma, moldam nossa sociedade - a mesma que passa seu tempo entre destruir e construir esses blocos.
Por fim, busco também o mistério e o fascínio intrínsecos a esse objeto que, geralmente, traz em si uma surpresa.
Direção: Kadu Garcia e Mariana Pimentel
Elenco: Cecília Viegas e Marcos Camelo
Criação de luz: Amarilis Irani
Figurino: Raquel Theo
Cenário e design gráfico: Diogo Monteiro
Trilha sonora: Maíra Freitas
Cenotécnico: Rafael Boese
Produção Executiva: Thamires Trianon
Realização: Adorável Cia.








